Eleições na Nigéria são adiadas em uma semana – Isto É

Partidários do principal candidato da oposição na Nigéria, Atiku Abubakar, em um comício eleitoral em Kaduna, em 24 de janeiro de 2019. – AFP/Arquivos

A Comissão eleitoral da Nigéria adiou em uma semana as eleições presidenciais e legislativas deste sábado, quando faltavam poucas horas para a abertura das zonas eleitorais.

“Para garantir a realização de eleições livres, justas e confiáveis, não é factível seguir com as eleições da forma como estavam programadas”, disse à imprensa Mahmood Yakubu, presidente da Comissão Eleitoral Nacional (INEC), antes de anunciar o adiamento para sábado 23 de fevereiro.

Yakubu não deu precisões sobre os problemas logísticos particulares que se apresentaram, mas três centros de sua organização foram queimados no país e a oposição denunciou que muitos estados não haviam recebido as cédulas eleitorais.

Os dois principais candidatos nas presidenciais são o atual chefe de Estado Muhamadu Buhari, de 76 anos, e o líder da oposição, Atiku Abubakar, de 72, um empresário milionário que foi vice-presidente do país entre 1999 e 2007.

Um total de 84 milhões de eleitores estão inscritos para votar nestas eleições na Nigéria, principal potência petroleira da África e o país mais populoso do continente, com 190 milhões de habitantes.

A campanha foi enlutada pela morte de 15 pessoas na terça-feira em uma avalanche humana depois de um comício de Buhari.

O presidente Buhari realizou no sábado passado seu principal evento de campanha em Lagos, a megacidade econômica do país, diante de dezenas de milhares de pessoas.

Por outro lado, o partido Abubakar, que planejava uma concentração em massa em Abuja, teve que cancelar o ato. Abubakar acusou o presidente Buhari e sua formação de estar por trás da proibição de acesso ao local planejado para o comício, uma declaração negada pelo partido no poder.

Durante um mês, Buhari, candidato do Congresso Progressivo (APC), e Abubakar, do Partido Popular Democrático (PDP), o principal movimento da oposição, percorreram os 37 estados da Nigéria, reunindo impressionantes quantidades de seguidores.

Mas na terça passada, ao menos 15 pessoas morreram pisoteadas ao final de um comício de Buhari, em um estádio em Port Harcourt (sudeste).

As pessoas que comparecem a estas manifestações gigantescas, no entanto, podem obter algum dinheiro, comida ou “presentes” jogados pelas equipes de campanha para a multidão, o que questiona uma presença tão maciça.

A Nigéria mergulhou em uma recessão econômica entre 2016 e 2017, logo depois que Buhari chegou ao poder, e hoje não consegue recuperar seu crescimento.

– Extrema pobreza-

O gigante da África é atualmente o país que tem o maior número de pessoas vivendo abaixo do limiar da extrema pobreza (87 milhões) no mundo, à frente da Índia, de acordo com o World Poverty Clock.

O tema economia centraliza a campanha e o oponente Abubakar prometeu em seu lema que “Faça a Nigéria trabalhar de novo”, ou, em inglês “Make Nigeria work again”, em cima do slongan “Make America great again”, do presidente americano Donald Trump.

O ex-vice-presidente e próspero empresário próspero uma política liberal para tirar a Nigéria da atual estagnação econômica, após a forte intervenção estatal de Buhari, até mesmo no banco central.

Mas Buhari é um populista que ganhou votos com sua medida “Trader Moni”, um sistema de microcrédito de 24 a 75 euros (27 a 85 dólares) para dois milhões de pequenos empreendedores.

– Disputa acirrada –

Na Nigéria, um país dividido entre um sul predominantemente cristão e um norte dominado pelos muçulmanos, bem como comunidades diversas, a escolha dos candidatos é geralmente mais baseada na sua região de origem ou religião do candidato do que em suas ideias ou programas.

Mas este ano, os dois principais candidatos são muçulmanos e pertencem à mesma comunidade hausa, estabelecida no norte do país, o que torna a disputa ainda mais acirrada.

O país sofre com muitas falhas de infraestrutura, como acesso à eletricidade ou falta de segurança. E isso dificulta ainda mais o processo eleitoral.

Regiões inteiras, como o nordeste, devastadas por uma década de conflito entre o exército e a insurreição jihadista do grupo Boko Haram, são inacessíveis, e centenas de milhares de deslocados sem dúvida não poderão ir às urnas.

Fonte Oficial: Isto É.

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