Impasse em Itaipu gera disputa entre Brasil e Paraguai – Exame

Brasília — O impasse entre Brasil e Paraguai em torno da energia elétrica da Hidrelétrica de Itaipu continua e embute um custo político elevado para o país vizinho, que quer evitá-lo de todas as formas.

Se o Paraguai aceitar contratar a energia que consome pelo preço considerado adequado pelo lado brasileiro, os consumidores do país vizinho terão de arcar com um reajuste médio de cerca de 40%, segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Hoje, a tarifa média residencial no Paraguai custa US$ 74 por megawatt-hora (MWh); para indústrias, o valor é de US$ 51. Mesmo com um reajuste de 40%, o preço ainda seria bem menor que os valores pagos por brasileiros.

No Brasil, os consumidores residenciais pagam, em média, US$ 206, enquanto a indústria paga US$ 125. As informações são da Ande, empresa pública paraguaia responsável pelo fornecimento de energia no país.

Em pleno mês de março, a Eletrobrás e a Ande, contraparte paraguaia, ainda não chegaram a um acordo sobre os respectivos valores de contratação da potência disponível pela usina, o que impede o planejamento para este ano.

O Brasil quer que o Paraguai contrate 1 mil MW a mais para 2019, mas o Paraguai resiste à proposta por causa do custo político que isso teria para o presidente Mario Abdo Benítez, que assumiu o mandato em agosto do ano passado.

Acordo

Logo depois que a ex-presidente Dilma Rousseff foi reeleita, as contas de luz tiveram um aumento de 50% em 2015, o que contribuiu para a queda da popularidade da petista, que sofreu impeachment no ano seguinte.

Na Argentina, o presidente Mauricio Macri enfrenta críticas desde que retirou os subsídios embutidos em diversos serviços. No fim do ano passado, ele autorizou um aumento de 43% na energia e de 35% no gás, numa tentativa de distanciar a medida das eleições em outubro, em que disputa a reeleição.

A energia elétrica produzida por Itaipu é vendida a preço de custo para Brasil e Paraguai, mas cerca de 70% do preço final diz respeito ao pagamento do financiamento para a construção da usina.

O custo, por MWh, é de US$ 43,80. Pelo tratado, cada país fica com metade da eletricidade produzida por Itaipu. Como não consome todo o volume a que tem direito, o Paraguai vende seus excedentes para o Brasil e, historicamente, tem ficado com 15% de sua parcela.

Mais barata

Além da energia associada à sua potência, Itaipu costuma produzir um volume de energia excedente – muito mais barata, pois seu custo não inclui o pagamento do empréstimo relativo às obras.

Esse volume também deveria ser dividido igualmente entre Brasil e Paraguai, mas um acordo firmado entre os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Lugo em 2009, hoje questionado pelo Brasil, dá ao Paraguai direito a uma proporção maior dessa energia mais barata.

É com essa energia mais barata, que custa US$ 6 por MWh, que o Paraguai tem contado para atrair empresas e investimentos. Essa política resultou em um crescimento econômico da ordem de 6% para o país nos últimos anos, enquanto o PIB do Brasil cresceu 1,1% em 2018 e em 2017, após dois anos de recessão.

Desde o ano passado, esse acordo, apesar de favorecer o Paraguai, teria sido extrapolado, como revelou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O Paraguai tem se apropriado de todo o volume excedente e também de parte da eletricidade a que o Brasil tem direito.

A Eletrobrás, estatal por meio da qual o Brasil faz os pagamentos à usina, se recusou a pagar pelo que não recebeu.

O Paraguai quer manter inalterado o volume contratado e suprir a indústria local com os excedentes, bem mais baratos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte Oficial: Exame.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!