Queda de juros nos EUA pode ser sinal positivo para o Brasil – Exame

Fluxo de investimentos deve tomar o rumo de países emergentes, que ainda têm taxas altas

Por Estadão Conteúdo

access_time 1 ago 2019, 09h22

Apesar de o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, não ter deixado claro se haverá ou não uma continuidade na redução da taxa de juros dos Estados Unidos, o corte anunciado na última quarta-feira, 31, consolida uma onda de afrouxamento monetário global que beneficia países emergentes como o Brasil.

A redução do juro americano em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 2% e 2,25%, foi a primeira feita pelo Fed desde a crise de 2008. Também já anunciaram recentemente cortes nos juros União Europeia, Austrália, Nova Zelândia, Chile, Rússia, Índia e Turquia, entre outros países – todos respondendo à desaceleração da economia global e tentando aumentar a liquidez.

Ainda que a atividade esteja esfriando em todo o mundo, esse cenário é visto por economistas como mais positivo para o Brasil do que para uma economia global a pleno vapor, com o Fed aumentando os juros.

Nesse caso, grande parte dos investidores deixaria os emergentes, recorrendo à segurança do retorno do investimento americano – o que era esperado por muitos economistas no início do ano.

“O quadro de desaceleração (econômica) é melhor para emergentes” diz o economista Silvio Campos. Para ele, porém, também há riscos relevantes, como uma eventual deterioração mais acentuada da atividade global ou a possibilidade de as Bolsas – hoje em patamares elevados – começarem uma correção. “O ideal seria a China fazendo um pouso suave e os Estados Unidos mantendo uma taxa de crescimento de 2%, permitindo a manutenção de liquidez elevada”, acrescenta.

Campos destaca que, apesar de a tendência ser de uma desaceleração econômica, ainda não é possível descartar a possibilidade de uma recessão global. Isso porque há incertezas importantes no radar, como o Brexit e a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

O estrategista-chefe do Modalmais, Felipe Sichel, também vê como mais vantajoso para o Brasil o cenário de acomodação monetária dos Estados Unidos, mas pondera que a estabilidade econômica global é necessária para um crescimento mais forte dos emergentes. “O fato de o (presidente do) Fed ter se mostrado menos predisposto a novos cortes do juros já torna o ambiente menos benevolente para os emergentes”, disse.

Na terça, logo após divulgação da decisão da autoridade monetária americana, Powell afirmou que a redução havia sido um “ajuste no meio de um ciclo da política monetária” e que “a perspectiva agora não é que este seja o início de um ciclo de corte de juros”. Pouco depois, acrescentou que também não era possível afirmar que não haverá outras reduções à frente.

Mercado

A mensagem dúbia surpreendeu o mercado, que esperava indicativo mais claro. No Brasil, o dólar fechou em alta de 0 75%, a R$ 3,81 – maior valor desde 3 de julho. O Ibovespa (principal índice da Bolsa) caiu 1,09%, aos 101,8 mil pontos.

Em Nova York, as Bolsas também recuaram mais de 1%. O índice Dow Jones fechou em baixa de 1,23%, aos 26,8 mil pontos, enquanto o Nasdaq caiu 1,19%, para 8,1 mil pontos. O S&P 500 recuou 1,09% para 2,9 mil pontos, fechando abaixo da marca “psicológica” de 3 mil pontos

Fonte Oficial: Exame.

Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do World Câmbio.

Comentários

você pode gostar também

Quer fazer parte de nosso grupo?

Inscreva-se em nossa newsletter!