Especulação e Hedge no Milho em Chicago em 2019 – Investing.com

O ano de 2019 está sendo muito instável na agricultura mundial, ocasionando grandes oscilações de preços. Safras recordes e quebras de safra em partes diferentes do mundo alteraram as expectativas dos agentes econômicos. O milho, o cereal mais plantado e consumido no mundo foi a cultura com maior impacto.

Os agricultores de milho brasileiros colheram uma produção recorde e conseguiram excelentes preços.

Os Estados Unidos, maior produtor, e exportador, mundial de milho, teve problemas sérios na fase de plantio de suas lavouras. Excesso de chuvas e temperaturas baixas atrasaram a semeadura. Desde o início, se temia pela qualidade da germinação e desenvolvimento inicial das plantas, dado a continuidade das chuvas, alagando plantações. E mercado passou a especular sobre o atraso do plantio e o tamanho da quebra da safra.

Como temido, não se cultivou toda a área esperada. Os mercados refletiram esse temor, em alta de preços. A fim de se protegerem, e cumprirem seus contratos de exportações, as tradings trocaram posições de compra de grãos em desenvolvimento nos Estados Unidos, pela safra recém colhida na América do Sul.

Nos contratos em bolsas de valores também houveram mudanças nas posições dos participantes. Fato a ser analisado em maior detalhamento:

Na figura 1 as posições de compras e vendas de contratos futuros pelos produtores e consumidos e a cotação contrato futuro.

Figura 1 – Número de contratos e posições dos produtores e cotação do contrato futuro de milho

Conforme os preços do contrato futuro de milho foram subindo (linha amarela), as posições “SHORT”, que são as posições vendidas (linha vermelha), com expectativa de queda de preços, aumentaram. De 600 mil contratos posicionados, no mês 5, para 1.000.000 de contratos, no mês 6, e se mantém até o mês 8, embora o preço do contrato futuro já tenha caído. De 450 cents / bushel, os valores retornaram a 380.

As elevadas posições vendidas, no mês 7 e 8, ilustram a expectativa deste grupo em continuidades do movimento de queda.

A figura 2 analisa, no período de 5 anos, as posições dos participantes, os produtores (agricultores e compradores) e os fundos de investimentos, em função do preço do contrato futuro do milho.

Posições dos produtores e fundos nos contratos de milho e cotação em 5 anos

A linha vermelha, com NET negativo, mostra que historicamente, os produtores são são vendedores de contratos futuros. Em 2019, mesmo com preços com máxima acima dos anos anteriores (linha amarela), as posições vendidas foram menores do que 2018 e próximas a 2016. Provalvelmente, por estes dois anos terem sido safras recorde nos Estados Unidos a expectativa na queda nos preços era maior.

Os fundos de investimentos e especuladores, reforçaram as posições de compra (linha verde), apostando na alta, enquanto os preços subiam. E saiam das posições tão logo as cotações caiam. Em anos anteriores, as posições compradas pelos fundos, também foram maiores, mesmo com cotações menores.

Através das posições em contratos de opções é possível se detalhar, ainda mais, as expectativas dos agentes econômicos.

A figura 3 aglutina toda as posições, para diversos vencimentos, em cada nível de preço (strike), para put, que são opções com expectativas de queda de preços, e para call, opções com expectativas de alta de preços.

Posições em opções call e put, vários vencimentos, para cada strike

Com um primeira batida de olho, já se nota que as calls, em cor azul estão bem acima do preço atual (um risco vermelho), sinal de que, as posições em viés de alta, não estão em zona de lucro.

Já nas puts, diversas posições feitas nos strikes acima dos 360 cents / bushel estão em zona de lucro. As maiores posições das puts foram em 400; 380 e 370 c / bu. Na prática, os detentores dessas puts podem exercer seus direitos e receber o lucro ou aguardar o encerramento do contrato. Posições em puts abaixo dos 360 não estão em zonas de lucro.

As atenções continuam na safra americana. Se estima que mais de 50% das lavouras esteja em fase de enchimento de grãos, e uma pequena parcela, por volta de 15% esteja em fase endurecimento dos grãos. Ainda existem riscos climáticos, embora, menores. Temperaturas baixas, pouca luz solar, e poucas chuvas, podem atrapalhar a fase final da cultura.

Hoje, dia 23 Agosto, uma nova estimativa foi publicada, o Pro Farmer, com previsão de produção de 340 milhões de toneladas de milho, abaixo da estimativa anterior, de 350 milhões de toneladas, divulgada dia 12 de Agosto.

E a colheita se aproxima, e como se diz na roça: “A boca da colhedeira não mente”.

Um abraço, Maurillo.

Fonte Oficial: Investing.com.

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